Construção civil gera emprego, mas sofre com falta de mão de obra qualificada

Qualificação profissional

Por Ricardo França 27/09/2021 - 19:32 hs
Foto: Google Noticias
Construção civil gera emprego, mas sofre com falta de mão de obra qualificada
Construção civil gera emprego, mas sofre com falta de mão de obra qualificada

A construção civil, incluindo a construção de novas casas e reformas teve grande aumento de demanda e procura desde início da pandemia do CORONAVIRUS, sendo um dos poucos setores que projeta crescimento até 2022, inclusive demanda de profissionais para atuarem nas obras. 

O mercado de trabalho formal da Construção Civil gerou 29.818 novos postos de trabalho com carteira assinada em julho de 2021

Infelizmente, apesar do aumento da demanda no setor da construção civil, os materiais de construção registraram alta acumulada recorde de 32,92% no período de julho de 2020 a junho de 2021, segundo o INCC-DI (Índice Nacional de Custo da Construção – Disponibilidade Interna), apurado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

E não para pôr aí: alguns estão em falta no mercado. Os motivos que justificam a realidade da economia na construção civil vão desde a pandemia, que afetou a produção mundial, até a alta procura no mercado. Ainda que a situação se normalize, as consequências devem perdurar na sociedade.

Consequentemente a oferta de empregos e a demanda por profissionais também registram saldo positivo, mas o setor da construção civil já sente o reflexo da falta e disponibilidade da mão de obra e principalmente a mão de obra qualificada. 

Os dados foram divulgados no fim do mês de agosto pelo Ministério do Trabalho. Na avaliação da economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que no mês de julho apresentou o melhor desempenho desde fevereiro de 2021 (44.184), o que evidencia avanço das atividades do segmento.

Contudo, a falta de mão de obra qualificada é uma questão que afeta diretamente na inflação, como explica o Diretor de Marketing, Comunicação e Eventos da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Marcelo Moreira. “Esses trabalhadores qualificados estão em falta hoje no mercado, o que impacta em uma inflação salarial e, consequentemente, amplia a dificuldade geral de contratação”, explica.

O setor possui um perfil de qualificação: o de preparar aquele profissional, sem experiência ou técnica, para o mercado. Mas este funcionário não permanece no local de trabalho e acaba abrindo uma nova demanda.

Em consulta com profissionais ligados a Rede Arqweb: empreiteiros e engenheiros, nota-se que apesar do grande aumento na demanda de produtos e serviços no setor da construção civil e consequentemente na geração de empregos, o grande desafio é a capacitação desses profissionais. 

Valter Melo Soares, diretor da JL Empreiteira destaca que “apesar de existirem cursos e programas municipais voltados para qualificação de profissionais para obra, o treinamento mais efetivo é dentro dos canteiros de obras”. 

Por outro lado, Soares complementa: “Porém, como há muitos trabalhos a serem realizados no canteiro de obra, as construtoras ou empreiteiros acabam não tendo esse tempo hábil para ensinar no canteiro e por conta disso a demanda acaba sendo por profissionais prontos, já qualificados ou com experiência e vivência em obras”. 

Mas a questão é: esses profissionais estão disponíveis e prontos para o mercado de trabalho da construção civil? 

Não, não estão! Não há essa disponibilidade de profissionais para as obras e com o aumento da demanda por construções e reformas, encontrar esse profissional, ficou ainda mais difícil. 

A Arqweb destaca que outros setores da economia passaram por esse movimento e no caso da construção civil, Valter Soares da JL Empreiteira também destaca esse fato como o grande desafio do setor. 

Em vídeo gravado para a Arqweb, Soares apresentou que os mais jovens não têm se interessado na construção civil, mesmo aqueles que tem pais que são profissionais da área. Destaca que por não ser um serviço fácil, muitas vezes braçal, exposto ao tempo, como sol e chuva, frio, os mais jovens não têm demonstrado interesse nessa área. 

O desafio é de como despertar a atenção dos jovens para a construção civil e atender a demanda do mercado para novas obras. 

Profissionais consultados são unânimes em afirmar que para isso terão que ter investimentos em cursos e treinamentos, além da oportunidade de aprender na prática no canteiro de obra. 

Por outro lado, o interesse dos mais jovens em atuar profissionalmente no setor da construção, passará também por melhores oportunidades, condições de trabalho, remuneração e consequentemente, isso refletirá em custo maior na obra. 

A opinião de Ricardo França, sócio fundador da Arqweb, comenta que esse é um processo certo, de médio prazo e que junto com essa qualificação, também virá o interesse pela qualificação para novos sistemas construtivos, principalmente os industrializados, assim como para uma melhor gestão da obra, onde a questão do custo maior da mão de obra, pode ser compensada por obras de melhor qualidade e com menos desperdícios. 

Se isso ocorrer, será troca justa, pois França destaca, que o custo do desperdício, presenciado pelos descartes de entulhos das obras nas caçambas é reflexo disso: “O que se descarta numa caçamba é material novo aplicado de forma incorreta na obra e o custo da caçamba com o que é descartado, pode superar o custo de contratar uma mão de obra qualificado”;