Perspectivas da construção civil para o segundo semestre 2021

Artigo especial da Arqweb

Por Ricardo França 11/07/2021 - 14:27 hs
Foto: Google
Perspectivas da construção civil para o segundo semestre 2021
Perspectivas da construção civil segundo semestre 2021

Você acha que no segundo semestre o setor da construção civil continuará crescendo e os preços dos materiais de construção aumentando? 

Construção civil bate recorde de inflação desde o Plano Real, subindo significativamente mês a mês desde início da pandemia e somente no mês de junho de 2021 subiu quase 2,50%, segundo o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), em relação a maio e ficando acima da média constatada anteriormente, segundo o IBGE. 

Essa média é nacional e nota-se que em algumas regiões do Brasil, uma média maior nos aumentos, onde os preços são regulamentados pela lei da oferta e procura, fato esse agravado  pela falta de alguns itens, que tem que ser planejado e comprado com até 150 dias de antecedência, se quiser que não falte na sua obra, como ocorre com revestimentos, louças, metais e até alguns tipos de blocos estruturais. 

Nesse artigo especial, a Arqweb volta sua atenção sobre a expectativa de como será o segundo semestre de 2021 para o setor da construção civil e se essa sequência de aumento nos preços dos materiais de construção continuará ou não. 

Segunda matéria veiculada no Portal da AEC Web, os custos com materiais de construção no estado de São Paulo acumulam alta de 35,25% em junho no período de 12 meses, apurado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e teve alta de 3% em junho frente a maio, encerrando o mês em R$ 1.708,12 por metro quadrado. 

Em junho, as maiores variações do período foram: tubo de ferro galvanizado com costura Ø 2 1/2″ (+12,85%), chapa compensado plastificado 18mm (+8,23%), bloco de concreto 19x19x39cm (+4,27%), aço CA-50 Ø 10 mm (+3,68%), placa de gesso para forro sem instalação (+2,72%) e fio cobre antichama isolante 750 V 2,5 mm² (+2,54%).

As maiores variações medidas em 12 meses foram: aço CA-50 Ø 10 mm (+78,82%), fio cobre antichama isol. 750 V 2,5 mm² (+61,99%), tubo de ferro galvanizado Ø 2 ½ (+54,87%), cimento CPE-32 saco 50kg (+43,00%) e chapa compensado plastificado 18mm (+40,56%).

Fonte: https://www.aecweb.com.br/revista/noticias/custos-com-materiais-de-construcao-em-sp-acumulam-alta-de-3525-em-junho/21340   

Não temos como afirmar, porém o que a Arqweb constatou numa breve pesquisa com sua rede de fornecedores na região de Piracicaba, Limeira e Rio Claro foi que nessa primeira quinzena de julho/21 não foram aplicados pelas indústrias os aumentos anunciados no final do mês de maio e início de junho, o que pode ser sinalização de que esse ciclo de aumentos pode ter sido estancado. Será? 

A queda de demanda por materiais de construção notado em obras nas regiões periféricas das cidades e paralisação de pequenas reformas, assim como sinalização na redução da valorização do dólar frente ao real, pode ser um dos fatores responsáveis, aponta Ricardo França, sócio da Arqweb Rede de Fornecedores. 

Segundo Allex Raimundo, diretor comercial da empresa Hembrafer, um dos maiores distribuidores de aço para construção na região de Piracicaba: “Em contato com nossos grandes fornecedores, não se fala sobre aumento no preço do aço para construção para mês de julho, assim como não se fala em redução de preços. A situação do mercado ainda é instável em outros setores que demandam do aço e torço para não haver mais reajustes, pelo menos nesse segundo semestre”. 

Outro item que teve aumento acentuado durante a pandemia foram os perfis de alumínio e os vidros. Em contato da Arqweb com Edson Bortoleto, proprietário da empresa Esquadrias Bortoleto, especializado na fabricação de esquadrias em alumínio, localizado na região de Piracicaba, informa que “não ocorreram os aumentos anunciados e previstos para início do mês de julho” e pondera: “porém tudo está imprevisível, pode ser que numa segunda-feira anunciem novo reajuste” e por isso Bortoleto “não arrisca a dizer que não haverá aumento dos preços.”  

Em meio a pandemia da Covid-19 enfrentada pelo País, o setor da construção civil tem sido destaque desde o ano passado, e isso é refletido nas obras visitadas pela equipe da Arqweb na região, que o setor da construção no período de quarentena tem tido muita demanda, gerado postos de empregos e desde o segundo semestre de 2020, tem acumulado mês a mês um saldo positivo, como resultado das pessoas estarem passando mais tempo em casa: trabalho, aulas, entretenimento e aquelas famílias que conseguiram manter suas rendas ou tinham alguma reserva financeira, planejaram retomar planos de reformas ou mesmo mudança para um novo lar, o que refletiu no aumento de números de construções, em especial em condomínios fechados de casas. 

Com a pandemia da Covid-19, o cenário futuro parecia ser desolador, porém, pelo menos para a construção civil, não foi o caso. Em meio à crise econômica enfrentada pelo País, o setor da construção tem tido destaque desde o ano passado.

O mercado da construção civil conseguiu driblar os efeitos da pandemia e é um dos segmentos que mais vem impulsionando a economia nacional, principalmente no mercado de construções de médio e alto padrão. O setor foi considerado atividade essencial pelo Governo Federal logo no início da pandemia, status que o blindou de medidas de isolamento social impostas para outros segmentos. 

O aumento das vendas em meio à crise sanitária e econômica comprovaram que a proteção foi correta. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) apontam aceleração do segmento da construção civil, com ampliação de postos de trabalho, bem como alta nas vendas e a projeção de novos lançamentos. Dados da Cbic projetam o maior crescimento para o setor em oito anos.

Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/mercado-da-construcao-civil-puxa-o-crescimento-economico-na-pandemia,7659008e25489537c7e03ca2bbbd17f1fpv54f6r.html 

Porém essa alta ocorrida nos preços dos materiais de construção, impacta também nos preços da construção como um todo e de novos imóveis. 

Conforme destacado nesse artigo, o índice de inflação da construção civil ultrapassou os 35% no acumulado dos últimos 12 meses, o maior nível em 18 anos no Brasil. 

Foi necessário mais do que nunca adequar e substituir alguns itens e materiais, mudando marcas e diversificar para tentar não onerar tanto no preço final da construção e dos novos imóveis, que foram diretamente impactados. 

Nesse ponto do artigo, a Arqweb destaca o trabalho que faz, em especificar os melhores fornecedores da construção civil, qualificando antecipadamente esses fornecedores através de um sistema próprio da rede, e além das dicas e "macetes" da obra, que se aplicados na prática, se revertem em economia para sua obra, além de um melhor planejamento. 

Para ter noção desses aumentos de preços na prática, em consulta com alguns usuários que utilizam os fornecedores da Arqweb Rede de Fornecedores, a informação é que o saco de cimento aumentou 40%, o concreto subiu 12% e o alumínio para as esquadrias ficou 50% mais caro que no inicio da pandemia. 

Quem orçou sua obra, por exemplo no início do segundo semestre de 2020, fatalmente teve que reajustar seu orçamento, aumentar sua verba, buscando mais recursos ou infelizmente adiar o sonho da casa nova, ou, conforme verificado pela Arqweb, em alguns casos, projetos de sobrados, foram alterados para projetos de casa térrea e pasmem, para se chegar ao mesmo valor orçado inicialmente. 

Na prática, considerando o aumento de preços acumulado nos últimos 12 meses, quem planejava gastar R$ 500 mil em uma construção no mês de junho de 2020, para o mesmo projeto, para ser executado no mês de junho de 2021, custará em torno R$ 676 mil.

A Arqweb destaca que infelizmente tudo aumentou: energia elétrica, combustíveis, alimentação e o aumento nos preços dos materiais de construção também impactou no orçamento das famílias que planejavam construir ou comprar um novo imóvel, que fatalmente  subiu e está subindo de preço.  

Para quem já estava no processo de construção, com a disparada dos preços durante a pandemia, os proprietários tiveram que negociar a compra de revestimentos, metais e outros acabamentos, para tentar reduzir o impacto do INCC, o índice de inflação da construção civil acumulado nos últimos 12 meses.

Fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/07/02/alta-de-materiais-impacta-preco-da-construcao-de-imoveis.ghtml   

Por outro lado, os aumentos dos preços nos materiais de construção é investigado pela Secretaria do Consumidor, que acionou o CADE sobre alta nos preços.

Uma análise preliminar, identificou aumentos significativos nos preços de vários itens da construção desde o início da pandemia e de formas desproporcionais aos aumentos previamente anunciados. 

Fonte: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2021/06/14/secretaria-do-consumidor-aciona-cade-sobre-alta-nos-precos-de-materiais-de-construcao.ghtml 

Quanto ao faturamento das indústrias de materiais de construção, até maio de 2021, cresceu em vendas de produtos 35,8%, acumulado nos últimos 12 meses. 

Na comparação entre os primeiros cinco meses de 2021 e os de 2020, houve aumento de 27,1% no faturamento. 

Com relação aos dados consolidados de faturamento da indústria de materiais de construção em abril de 2021, no período, o setor teve faturamento 66,4% maior que o observado em abril de 2020.

Mas e ai? Será que esse movimento se sustenta?

A Arqweb reflete que o setor da construção civil depende de muitos fatores externos para o seu crescimento sustentável e infelizmente, a pandemia ainda está em curso e apesar das boas perspectivas da vacinação em massa e redução do dólar frente ao real, que no setor da construção civil pode ser responsável de pelo menos estancar a disparada dos aumentos ocorridos nos valores dos materiais de construção nos meses anteriores, é que a partir do segundo semestre de 2021 espera-se ter uma maior previsibilidade no planejamento das obras, algo de extrema importância num processo de construção, em especial para profissionais do setor e para quem pretende construir ou comprar um novo imóvel. 

Fonte: https://www.aecweb.com.br/revista/noticias/faturamento-da-industria-de-materiais-de-construcao-cresce-358-em-maio/21271 

Juros mais baixos e facilidades de crédito também fizeram do período um ótimo momento para investir ou construir um novo imóvel e em contato da Arqweb com corretores de imóveis na região de Piracicaba, informam que os aumentos ocorridos nos últimos meses na taxa SELIC, somado com a falta de imóveis disponíveis no mercado e o receio dos investidores de iniciarem novas construções, por conta do recente histórico dos aumentos dos preços nos materiais de construção, já passa a ser uma preocupação desses profissionais do ramo imobiliário nesse segundo semestre de 2021. 

Será que os juros se manterão baixos para aquisição da casa própria e financiamento da construção, mantendo a tendência de bom momento para investir em imóveis? Essa pergunta a equipe da Arqweb não conseguiu respostas. 

O que notamos é que a demanda por novas construções e consequentemente novos imóveis ainda tem margem para aumento. 

Fazendo uma retrospectiva do setor da construção civil no último ano, a Arqweb constata o que foi amplamente difundido pelos meios de notícias: dois fatores provocaram o aquecimento do mercado imobiliário: a menor taxa de juros da história, logo investir em imóvel, seja na construção ou compra, passou a ser um ótimo negócio, e a pandemia, por conta das pessoas estarem passando mais tempo em casa, fazendo elas buscarem por espaços cada vez mais modernos e confortáveis e nota-se a migração dos apartamentos para casas em condomínios fechados e que a Arqweb sente de perto nas visitas em obras de casas em condomínios e empreendimentos na região de Piracicaba, Limeira, Rio Claro. 

Perspectivas para os próximos seis meses é que o setor continue crescendo, por conta das várias construções em curso das obras residenciais, iniciadas no primeiro semestre de 2021, misturando o sentimento de otimismo das empresas do setor da construção, com o da insegurança de quem ainda não iniciou sua obra ou mesmo estava na expectativa da compra de novo imóvel.

A perspectiva de aumento nas compras de insumos e matérias-primas para os próximos meses ainda continua grande, principalmente porque historicamente o segundo semestre é mais aquecido que o primeiro para o setor da construção civil.

Nós da Arqweb continuaremos aqui na expectativa e acompanhando os movimentos no setor regional da construção civil e paralelo a isso nos empenharemos em fazer do nosso canal um ponto de apoio e informação para o público que está construindo ou planeja construir sua nova casa.

Um alerta adicional é quanto a mão de obra no setor, pois se houve aumento na demanda e consumo de materiais de construção, consequentemente houve uma demanda maior pela mão de obra e é nesse momento que profissionais ruins e não qualificados, se misturam com bons profissionais e por isso a recomendação da Arqweb é de pesquisar, buscar indicações, visitar obras executadas, para não ter “dor de cabeça” e deixar sua obra ainda mais cara.  

Destacamos mais do que nunca a importância de um bom projeto, planejamento, estudos de novos e modernos métodos construtivos, análise de custos, assim como ter todos detalhes de projeto e levantamento dos custos estimados previstos para executar a obra, antes dela se iniciar.