Cenário atual da construção civil

Novo normal da construção civil

Por Ricardo França 06/10/2020 - 11:30 hs

Cenário atual da construção civil
Cenário da construção civil pós pandemia

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que depois de móveis e eletrodomésticos, as vendas de materiais de construção foram as que registraram maior crescimento em agosto, 22,7% em relação ao mesmo período do ano passado

Se por um lado as grandes matérias dos noticiários estampam em seus destaques que o setor de construção civil vem se destacando desde início da pandemia, onde ajudantes, pedreiros, , engenheiros e mais vagas de emprego vem sendo criada para trabalhar nas obras de construção de casas, prédios e infraestrutura por outro lado quem está construindo está sofrendo com a alta nos preços.

 Os dados positivos não param por ai, pois a construção civil atinge maior nível desde o fim de 2017. Auxílio emergencial do governo para pessoas em dificuldade e construções imobiliárias que já estavam em andamento ajudaram no desempenho do setor.

Impulsionado por obras residenciais, o setor de construção civil cresceu 2,7% em julho em relação a junho e passou a operar no maior nível desde dezembro de 2017, superando o pré-pandemia, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Na construção civil, o setor de siderurgia se mantém em alta na demanda por  aço | Click Petroleo e Gas

Porém esse ganho de “folego” , onde a construção civil começa a se recuperar dos efeitos da pandemia, acaba sendo ofuscado, segundo análise de Ricardo França, sócio do Portal Arqweb Rede de Fornecedores, com altas intensas e constantes de preços, sentido diretamente pelos fornecedores do portal e com o agravante da falta de material e desabastecimento no mercado, que pode vir a quebrar esse ciclo.

Em pesquisa, França conclui que a alta nos preços dos materiais para construção impactaram em aumento dos custos, na paralisação de obras, na repactuação de contratos e na suspensão da retomada da construção civil. 

Segundo o Jornal Correio do Estado, conforme representantes do setor, as obras estão sendo estabelecidas até 20% mais caras e consequentemente o consumidor sentirá o reflexo.  

“Há uma incerteza muito grande, porque alguns materiais continuam reajustando. Algumas obras em andamento não têm como parar, mas estamos reprogramando os canteiros de obras, muitas vezes até diminuindo o número de colaboradores ", disse o presidente da Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul (Acomasul), Adão Castilho que prosseguiu. 

Segundo o representante dos construtores, uma venda de imóveis tinha aumento em 28%, mas muitos projetos que estavam nos planos ficarão no papel. Castilho explica que as obras em andamento tiveram um aumento de custo entre 15% e 20%.  

“Estamos orientando que as obras que ainda não foram iniciadas, que têm muita cautela, que analisem bem se compensa iniciar uma construção. Porque depois temos de ver como esses imóveis obtemos na hora da venda. Nós não queremos um reajuste abusivo, considerando o habitual atual, esse consumidor vai pagar até 20% mais caro por um imóvel, do que há quatro meses”, considera Castilho.  

A falta de materiais já impacta em paralisação de obras

 “Cada construção leva materiais específicos. Para construir uma casa, por exemplo, o aumento deve ser acima de 15%. O setor está tentando absorver parte desse aumento, mas uma parte chegará ao consumidor”, considera o presidente do Sinduscon de MS, Amarildo Miranda Melo.

O presidente da Acomasul explica que atualmente a demora na entrega de materiais, em decorrência da falta de produtos, chega a 90 dias. 

A indústria alega que não tem o material para entregar de imediato, a receber para receber pode demorar de 30 dias até 90 dias.

A indústria parou de produzir

Como entidades chegam a chamar de “oportunismo” da indústria e do varejo a falta de insumos no mercado. 

A Associação do Comércio de Materiais de Construção de Mato Grosso do Sul (Acomac) e o Sindicato do Comércio Varejista de Materiais de Construção de Campo Grande (Sindiconstru) explicam que vários fatores colaboraram para que uma situação chegasse a este ponto.

“Muitas indústrias pararam a produção por até 90 dias no início da pandemia, e os estoques foram praticamente zerados”, explica o presidente do Sindiconstru e diretor da Acomac, Fabiano Lopes.  

Segundo Fabiano, a cotação do dólar também influenciou. O aço, por exemplo, é uma commodity. 

Fabiano explica ainda que houve aumento da demanda, pois muitas pessoas chamadas em casa e, com mais tempo disponível, passaram a realizar pequenas reformas no imóvel. 

“Claro que teve também um pouco de especulação do mercado, mas eu acredito que no início do ano que vem a situação voltará ao normal”, considerou o presidente do Sindiconstru.

 

 Fechando esse artigo especial da Arqweb, França conclui que mais do que nunca é importante que os profissionais do setor busquem capacitação, de forma a melhorarem sua produção, como por exemplo mão de obra, de realizar com a melhor qualidade, menor prazo e menor desperdício, deixando de lado aspectos culturais tradicionais no setor de construção civil, o famoso: “eu sempre fiz assim!”.

 Reforçando aspectos desperdícios França destaca que é inadmissível considerar normal o descarte de entulhos nas obras em níveis superiores a 20%, onde em média, é “jogado” na caçamba uma casa a cada 4 ou 5 construídas.

 

 Por experiência, é certo que com a normalização das atividades industriais os preços atuais tenham retrocesso, assim como é certo que dificilmente voltem aos patamares antes da pandemia.

 

 Outra dica é apostar em processos construtivos alternativos em substituição ao cimento, aço, assim como modelos de construção industrializada, reduzindo movimentações e desperdícios nas obras, o que significa redução de custos e necessários de se buscar nesse momento para compensar essa alta elevada.