Casa dos Pórticos

BLOCO Arquitetos

Por Renata Mascarenhas 13/06/2020 - 11:27 hs
Foto: Haruo Mikami
Casa dos Pórticos
Casa Pórticos com laje aparente

A escassez de mão de obra especializada e o baixo desenvolvimento da indústria de construção civil são parte da realidade da construção civil. Confira nesse artigo que a imperfeição e a imprecisão pode forma de usar ser método tradicional da construção nos projetos.

 

Descrição enviada pela equipe de projeto. 

A escassez de mão de obra especializada e o baixo desenvolvimento da indústria de construção civil são parte da realidade que influencia nossa forma de trabalhar em Brasília. 

Deste modo, consideramos que a imperfeição e a imprecisão inerentes ao método tradicional de construção largamente utilizado na região são qualidades que podem ser aliadas à liberdade de experimentação “low-tech” da construção artesanal brasileira.

 

Neste projeto experimentamos uma forma alternativa de articulação entre dois elementos convencionais da construção civil brasileira: a estrutura de concreto moldada “in loco” e a laje pré-moldada de concreto e tijolo cerâmico. As premissas adotadas foram a utilização de materiais de baixo custo e a adoção de soluções com baixa necessidade de manutenção.

A estrutura da casa é composta por dez pórticos idênticos em concreto aparente com vãos de 760cm, distantes 300cm entre si e conectados por lajes volterranas compostas por vigotas treliçadas de concreto e tijolos cerâmicos furados.

 

A modulação proporcionou uma obra com execução simples de acordo com a mão-de-obra disponível e o limite de custo estabelecido inicialmente.

 

As lajes foram conectadas aos pórticos através de um método experimental feito na obra e que permitiu que as vigotas pré-moldadas ficassem alinhadas com a face inferior da viga principal de concreto armado do pórtico.

 

Dessa forma, as lajes ficam “penduradas” nas vigas, ao invés de apoiadas nelas.

Todos os pilares dos pórticos foram concretados conjuntamente. O friso em baixo relevo no topo dos pilares marca a primeira etapa de concretagem. Em seguida, as partes da armadura inferior das vigas dos pórticos correspondentes à espessura da laje foram concretadas junto com as lajes volterranas.

 

Ferragens extras para ancoragem entre viga e laje foram deixadas a cada 30cm e uma contenção do tipo fôrma longitudinal em compensado de madeira foi posicionada ao longo de toda sua extensão. O restante das vigas invertidas foi concretado menos de doze horas depois da primeira concretagem, o que é permitido segundo a normas brasileiras (ABNT) para que as duas “etapas” das vigas fiquem solidarizadas em uma só.

As grandes áreas de lajes mistas alinhadas pela face inferior das vigas dos pórticos alternam-se com pequenos trechos de laje maciça de concreto alinhadas por sua face superior.

 

Enquanto as primeiras estão voltadas para o jardim e conformam o teto dos quartos, garagem e sala, para onde se abrem esquadrias de piso a teto, os trechos de laje maciça conformam os tetos de banheiros e serviços, numa variação de pé-direito que permite a criação de janelas altas voltadas para o fundo do terreno, encaixadas entre as paredes e vigas.

Projeto: Bloco Arquitetos / Fotos: Haruo Mikami

 

Fonte: www.archdaily.com.br/br/922479/casa-dos-porticos-bloco-arquitetos?ad_medium=gallery