A ARQUITETURA INVISÍVEL: a medida das coisas, facilidades, acessibilidade

Vamos começar pelo tema a arquitetura invisível.

Por Aline Marafon 29/11/2019 - 14:17 hs
A ARQUITETURA INVISÍVEL: a medida das coisas, facilidades, acessibilidade
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Há um charme explícito em escolher o estilo arquitetônico de uma casa, de um comércio ou de uma instituição como favorito. A beleza das coisas enche nossas almas de criatividade, inspiração e empolgação. 

 

Está aí o charme dos parques de diversões, dos monumentos, das igrejas, dos prédios icônicos e da arquitetura espetacular. 

Esse charme faz com que queiramos viajar e conhecer todos os lugares exóticos, bonitos e icônicos. E nesta era digital nos faz tirar uma foto; uma self que nos servirá para os dias tristes, no qual precisamos de um gás extra para entregar aquele trabalho chato. 

Em 2018 estive nos Estados Unidos após alguns anos e pela primeira vez, talvez por estar relativamente mais madura, observei com mais cuidado a arquitetura americana. Como tudo no exterior a arquitetura também parece esplêndida e inatingível. E daqui consigo escrever inúmeros textos mas ....

Vamos começar pelo tema a arquitetura invisível. 

Em 2018 a atração do momento era avatar; um cenário fantástico, cheio de magia, com riqueza de detalhes, literalmente esplêndido! Era tão grande que eu com meus 1,56m me senti crianças novamente ...

Oi???? O que o tamanho tem a ver com o sentimento de criança? 

Tudo! Dá uma acompanhada neste mistério ....

Essa é uma velha técnica adotada já nos primórdios da história da arquitetura, pelas igrejas que queriam representar a grandeza de Deus através dos altíssimos “pé direito”. Essa técnica de ampliar a altura do teto, aciona dentro do visitante um gatilho mental de nos fazer sentir que somos “pequenos”, menos sábios, vulneráveis diante do poder de Deus.

Um pouco da relação de crianças pequenas e os pais.

Vide isto, os parques usam a mesma técnica para te colocar como criança e despertar até no adulto mais rabugento o mundo mágico dentro daquele complexo. 

Bom, essa é aquelas verdades que partem corações (papai Noel não existe, dia das crianças é só para crianças, obra nunca dá problema) 

 

Voltando a arquitetura invisível; além da mágica, existe um cuidado especial para você enfrentar 3 horas de fila no brinquedo e não surtar de pânico 

(Aé Aline, se existe porque o Detran não adota? Kkkk cri cri cri)

 

Você concorda que ficar no mesmo lugar por 3 horas é insano?

Porém, ficar 3 horas passeando é suportavelmente correto? 

Logo, a fila tem um formato de passeio .... Outro gatilho mental!

 

Então os looooonnnngos e lentos trajetos nas filas são meticulosamente medidos para que você fique confortavelmente em um trajeto; uma jornada até a recompensa que é a atração. 

Ainda no avatar, eu tive o cuidado, não proposital, de observar a quantidade de detalhes que a jornada (trajeto) ofereceu. Uma riqueza inacreditável de detalhes; até o corrimão da chegada tinha um formato específico que foi alterando de acordo com a proximidade do brinquedo, uma evolução!

Eu no caso, prestei atenção nisso porque como venho do pensamento de padronização para melhor benefício, fiquei questionado a quantidade de horas que cada estagiário gastou no projeto de cada detalhe de cada metro daquela fila.

Já que meu cérebro ligou, reparei que cada degrau/patamar tinha a medida perfeita dos passos, tornando o trajeto extremamente leve; e quando dei por mim, havíamos subido uma quantidade enorme em altura do chão pelo percurso e não tive que fazer nenhum esforço a mais ou se quer olhar para o degrau.

 

Bom, é isso que a Disney faz para você! 

 

Na saída do brinquedo, observei um trajeto muito mais íngreme; mas de igual conforto. Os corrimãos do guarda corpo já não tinha nenhum detalhe, as plantas já não eram tão verdes e impecavelmente localizadas, o trajeto não eram tão limpo e cuidado; contudo, a velocidade de saída era excepcional, uma verdadeira rota de fuga de respeito .... tudo para você não perder tempo e ir logo para outro brinquedo. 

(Não perder tempo na saída + 3horas na fila = incoerente .... sim é, e basta) 

Resumindo: Ficamos 3 horas na fila, para brincar por 5 minutos em um simulador inacreditável e saímos felizes... que mágica é essa?  Arquitetura invisível! Os olhos não veem, mas o coração sente. 

Esse texto veio para despertar sua sensibilidade de observar se existe arquitetura invisível na sua casa, no seu trabalho, no seu dia a dia.

 

Se você mora em uma casa mais antiga, irá observar que as coisas que você acha chato; por exemplo, lavar a louça; pode estar relacionado com a disposição da sua cozinha; altura da pia, posição dos pés. Os ambientes que você não gosta de ficar no escritório podem ser ambientes com baixo índice de conforto visual, acústico e até térmico e se você sai todo dia do trabalho com dor no ombro, nas pernas ou nas costas sua mesa ou cadeira podem estar mal posicionado.

Muitas dores, desconfortos e problemas podem estar relacionados com a falta de um cuidado na arquitetura invisível.  

 

Por isso recomendamos um trabalho de consultoria, no qual elaboramos um diagnóstico preciso antes de realizar um projeto ou uma obra.

 

A arquitetura invisível não é um conceito estabelecido; é um trabalho de estudo pela ótica pessoal da Aline Marafon elaborada durante os 15 anos de carreira, nas mais diversas frentes de trabalho que combina de experiência, estudo e observação dos espaços construídos e não construídos.